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09.06.2021

Rastreabilidade na cadeia do couro é tema de webinar internacional

Assegurar que as informações do processo produtivo cheguem claramente ao consumidor final, para que este seja capaz de avaliar e optar por determinado produto a partir do conhecimento de sua origem e transformação. Este é um dos principais atributos da rastreabilidade na pecuária.

Para stakeholders da cadeia, também é uma garantia de procedência e de manipulação segura, uma forma de ratificar que os produtos estejam de acordo com protocolos, regras e requisitos exigidos por legislação e mercados consumidores específicos, e que demonstram melhores práticas em todas as etapas do processo.

Com o propósito de discutir estas relevantes questões, no dia 1º de junho, aconteceu o webinar “Rastreabilidade na cadeia de fornecimento do couro”. No encontro, promovido pela Textile Exchange, GRSB (Global Roundtable for Sustainable Beef) e pelo Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável (GTPS), especialistas do setor apresentaram o contexto da rastreabilidade no nível da fazenda, pontuando os desafios, perspectivas e oportunidades para as cadeias de abastecimento de gado, carne e couro.

O webinar contou com a participação de Luiza Bruscato, gerente executiva do GTPS; Paulo Costa, coordenador dos Protocolos de Rastreabilidade da CNA; Simon Hall, gerente Sênior da NWF; Kim Sena, gerente de Sustentabilidade da JBS Couros; e a moderação de Nicole Lambert, especialista em Fibra e Materiais da Textile Exchange.

Em sua apresentação, Luiza Bruscato (GTPS) expôs uma visão geral da pecuária brasileira, trazendo números e informações do setor, além das iniciativas e desafios relativos à sustentabilidade na cadeia produtiva, entre eles a própria rastreabilidade. “Este é um aspecto tão indispensável para a sustentabilidade na pecuária brasileira que se tornou tema central de um Grupo de Trabalho específico no GTPS. Nosso objetivo principal é justamente construir um entendimento comum sobre o caminho para a rastreabilidade e o monitoramento da cadeia de carne no País”, comentou Luiza.

Paulo Costa (CNA) apresentou os instrumentos definidos na Lei de Rastreabilidade (Nº 12.097/2009) e a previsão legal do atendimento a requisitos adicionais por meio dos Protocolos de Rastreabilidade de adesão voluntária sob gestão da CNA, sejam requisitos relacionados a genética, nutrição, bem-estar animal, origem, sustentabilidade entre outros atributos de interesse da própria cadeia produtiva ou dos consumidores. Destacou o sistema desenvolvido pela CNA que atualmente realiza a gestão de 12 protocolos, mais de 22 mil pecuaristas, 60 frigoríficos e mais de dois milhões de carcaças certificadas. Paulo ainda ressaltou a importância da rastreabilidade individual, em comparação a coletiva, para aumento da eficiência produtiva e econômica da pecuária pelo controle mais acurado dos índices zootécnicos de cada indivíduo do rebanho.

Simon Hall (NWF) destacou os desafios e oportunidades para o avanço da pecuária mais sustentável no Brasil, comentando que existem muitos bons pecuaristas comprometidos com práticas responsáveis, mesmo em regiões mais sensíveis, como a Amazônia e o Cerrado, e observou que a rastreabilidade é fundamental para identificá-los e incluí-los nas soluções de mercado.

Por fim, Kim Sena (JBS Couros) falou sobre as estratégias e ferramentas que a companhia utiliza para garantir a rastreabilidade do couro, desde a origem até o produto final, incluindo análises minuciosas das operações e uma auditoria independente de suas compras diretas de matéria-prima. Kim também mencionou a inovadora Plataforma Pecuária Transparente, ferramenta que conta com tecnologia blockchain e permite que fornecedores da JBS incluam seus próprios fornecedores em cadastro com o objetivo de que cumpram os critérios socioambientais de criação de bovinos, com segurança dos dados, confiabilidade e promovendo o engajamento dos produtores.

Diante de todas essas abordagens, de diferentes elos da cadeia de valor da pecuária, fica evidente que a rastreabilidade é um requisito indispensável para a atividade, tanto em termos socioambientais como em oportunidades e garantia de negócios mais seguros.

Comunicação GTPS

Paulo Zappa

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