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19.04.22

Pecuaristas do Pará aumentam taxa de lotação no período de seca com ILP

Prática também promove a adubação orgânica do solo a partir dos dejetos dos animais nas áreas de Integração Lavoura-Pecuária

Produtores rurais do Pará vêm encontrando nos sistemas integrados de produção a solução para aumentar a taxa de lotação dos animais nas fazendas durante o período de seca.

Em participação no quadro Pecuária Sustentável na Prática, produzido pelo Planeta Campo em parceria com o Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável (GTPS), Cristiano Soares, que é CEO da AgroSB, explicou os motivos para a adoção dessa prática.

“Em relação à pecuária, ela precisa muito de disponibilidade de forragem. Na agricultura você planta durante um período, no período chuvoso, colhe e, durante o plantio, você acaba colocando o capim. Esse capim fica protegido e ele acaba não crescendo por conta da lavoura que está em cima, da lavoura de soja ou da lavoura de milho . Quando você colhe essa lavoura, esse capim termina de crescer. E esse período de seca é um período no qual as fazendas sofrem muito. A fazenda acaba sofrendo, acaba tendo pouca disponibilidade de pastagem e, geralmente, o que acontece é que a maioria dos produtores acaba tendo que tirar os animais da fazenda, tendo que vender mais animais e, consequentemente, tendo que diminuir a lotação. Quando você prepara uma área dessa de agricultura, que é uma área que normalmente já vem adubada, e coloca uma área de forragem nela, que cresce justamente quando você não tem pastagem na fazenda, você consegue diminuir a lotação nas áreas que vão precisar se recuperar e aumentar a lotação das áreas de integração. A gente tem experimentos com áreas com taxa de lotação de 5, 6 animais por hectare durante esse período, que é um período muito difícil, onde muitas vezes o produtor acaba tendo que vender a sua produção”, detalhou Cristiano.

A prática da integração também é capaz de promover a economia circular nas propriedades, caso os produtores utilizem os dejetos dos animais como adubo orgânico para o solo. “Naturalmente, quando você faz a integração você deixa esses animais e eles acabam deixando dejetos, que acabam protegendo a área. E a gente, inclusive, como a gente tem uma operação também de confinamento, a gente acaba utilizando todos os dejetos do confinamento [como adubo orgânico].
Nesse momento que está muito difícil obter fertilizante, a gente pega esse fertilizante orgânico, faz um tratamento nele, enriquece esse fertilizante de uma maneira que a gente acaba usando esse adubo natural ao invés de comprar adubo químico, não somente pelo preço, mas também pela disponibilidade. E a gente usa esse adubo orgânico para adubar essas áreas que no ano que vem nós vamos plantar soja novamente, ou milho, ou soja e milho e depois a gente entra com a pecuária. Essa integração faz todo sentido, você acaba utilizando tudo o que é possível numa economia circular entre agricultura e pecuária”, explica Cristiano.

Soares também falou sobre os principais pontos de atenção para o sucesso do sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP). “Se um produtor é pecuarista ele tem que se desenvolver na agricultura e se ele é um agricultor ele tem que aprender a lidar com a pecuária. A grande dificuldade é você achar o ponto ideal da quantidade de sementes que você coloca. Se você coloca muita semente, por exemplo de capim, você acaba prejudicando a lavoura que está lá, então você tem que colocar um nível certo de sementes.
Outro ponto acaba acontecendo com relação à quantidade de animais e ao período que os animais ficam nessa área. Se você coloca animais durante muito tempo, você acaba não tendo palhada, ou seja, a proteção do solo para a próxima safra do ano que vem e acaba podendo ter até compactação do solo. Então, na prática você tem que achar um ponto ideal, tanto de entrada dos animais quanto retirada, montar cerca, tirar cerca. Não é simples, mas essa simbiose entre agricultura e pecuária, principalmente no ambiente paraense, no Norte do país em geral, tem muito potencial”.

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