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01.04.22

Pecuária preserva 283 espécies de aves no Pampa

Produtores rurais conservam 152 mil hectares de campos nativos e integrados com a produção de carne

A produção de carne no Bioma Pampa, presente no Brasil apenas no estado do Rio Grande do Sul, tem contribuído para a preservação de mais de 283 espécies de aves. Os pássaros são essenciais para a qualidade do capim nativo da região, que conta com aproximadamente 400 espécies de gramíneas.

Em participação no quadro Pecuária Sustentável na Prática, realizado em parceria com o Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável (GTPS), Pedro Develey, que é diretor executivo da Alianza del Pastizal, explicou que as aves proveem a dispersão de sementes, o controle de pragas e a polinização, apenas para citar o básico. Mas a contribuição dos pássaros vai além disso.

“Muito importante também é que o grupo das aves é um excelente indicador biológico, ou seja, se eu tenho uma área com uma composição ou uma riqueza de espécies “x” ou “y” mais bem preservada, isso quer dizer que aquele ambiente está preservado, as aves me contam isso, elas são mensageiras, nenhum outro grupo biológico é tão bom para indicar a saúde de um ambiente como as aves e é isso que a gente está fazendo no Pampa”, disse Pedro.

O projeto conta com a participação de um grupo grande de pecuaristas que garantem a preservação nas propriedades. “Dentro do programa da alianza, a gente tem 273 produtores que são membros, dá, mais ou menos, 152 mil hectares de campo nativo preservado, nenhuma unidade de conservação tem tanto campo preservado. E [são] áreas preservadas em terras privadas, isso é muito importante, e áreas produtivas com pecuária. E a gente mede a biodiversidade das aves para entender se realmente essa sustentabilidade ambiental está funcionando’, conta Develey.

Ele também ressalta como o trabalho realizado pelos produtores tem contribuído para a preservação de espécies ameaçadas na região. “Hoje a gente pode falar que aqui no Pampa, grande parte da conservação das aves está nessas fazendas que a gente monitora. Dessas 273 [propriedades] que fazem parte da Alianza, a gente já monitorou 25% das fazendas e são 283 espécies de aves. Isso é um patrimônio incrível, 20 [delas estão] ameaçadas [de extinção], seja globalmente ou ameaçadas regionalmente, no Rio Grande do Sul, e tudo isso em terra privada”.

Pedro ainda falou sobre o papel imprescindível dos produtores rurais para esses resultados. “A gente costuma dizer que os primeiros guarda-parques são os próprios produtores rurais e com produção. Não é que a gente está falando `não mexa´, tem que produzir. Inclusive o gado ajuda na manutenção do capim numa certa altura, eles ajudam a regular, lógico, com manejo né, com o número de cabeças por hectare [adequado], é um ganhar-ganhar, ganha o pecuarista com uma carne de qualidade, uma pecuária sustentável, que é o que o mundo está querendo, e ganha a biodiversidade, que é o que os biólogos e ambientalistas estão querendo”.

A produção sustentável é uma aliada do meio ambiente e dos negócios. “É isso que a gente busca integração, produção, conservação. É possível e é valorizado e o mundo está querendo cada vez mais”, concluiu Pedro Develey.

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