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07.01.22

IPAM e União Europeia iniciam diálogos sobre sustentabilidade na pecuária

Teve início em dezembro de 2021 o “Diálogo sobre a sustentabilidade e a rastreabilidade da cadeia da carne bovina e do couro”. A iniciativa é uma realização da União Europeia (UE), por meio do Programa AL INVEST Verde, com apoio do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), cujo objetivo é reunir os principais atores para discutir a sustentabilidade e a rastreabilidade das cadeias de valor da carne bovina e do couro no Brasil, identificando as melhores práticas e iniciativas futuras, com foco em cadeias de suprimentos para a União Europeia.

Durante o lançamento da iniciativa, o embaixador da Delegação da União Europeia no Brasil, Ignacio Ybáñez, ressaltou que o Brasil é um parceiro estratégico da União Europeia. “A UE é o segundo principal parceiro comercial do Brasil e o seu maior investidor estrangeiro. O Brasil, por sua vez, é o segundo maior exportador de produtos agrícolas para a UE. Esse contexto econômico exige que trabalhemos em parceria. Queremos intensificar nosso trabalho com o Brasil para implementar ações que permitam a construção de cadeias de valor mais sustentáveis. Esse é o objetivo da iniciativa que nos une hoje”, afirmou.

O Secretário Adjunto de Inovação, Desenvolvimento Sustentável e Irrigação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Cleber Oliveira Soares, citou a importância da tecnologia para o setor. “O agronegócio brasileiro como um todo, para além da agropecuária, está se movendo a passos largos para a descarbonização por meio do desenvolvimento de tecnologias e soluções essencialmente sustentáveis. O futuro da pecuária no mundo será cada vez mais sustentável, e o Brasil será cada vez mais protagonista nesse movimento”, destacou.

O Diretor Executivo do IPAM, André Guimarães, apontou que o diálogo é um fator fundamental ao implementar novas estratégias e planos. “Há os produtores que já cumprem as regras, mas também existem aqueles que querem se adequar e precisam de apoio. Para estes, é necessário oferecer os meios para essa regularização e um dos objetivos primordiais desse diálogo é identificar como podemos construir, junto à força e à liderança que a UE possui, o caminho para conseguir um processo de produção pecuária de maneira sustentável e em conformidade às exigências do mercado”, explicou.

Tendências globais do mercado da carne

Segundo o professor sênior do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) Marcos Jank, enquanto a tendência dos países mais desenvolvidos é de diminuir o consumo de carne, nos países emergentes essa demanda é crescente. “Isso se dá ao fato de que as populações mais pobres, que são a maior parte dos habitantes do mundo, estão em busca de consumir mais proteína na expectativa de melhorar sua dieta. Daí o grande papel do Brasil em atender a demanda de regiões como África e Ásia, que se tornam cada vez mais nossos clientes”.

A carne é o segundo maior produto da exportação brasileira, ficando atrás apenas da soja. Apesar de o Brasil ser o maior exportador do produto em volume (devido à demanda da Ásia), ele exporta produtos de baixo valor agregado. “Somos exportadores de carne – sendo a maior parte processada -, que chega dentro de outros produtos com outras formas, o que faz o preço ser mais baixo”, explicou Jank.

Produzir mais, conservando mais

Devido à inovação e à tecnologia, com o passar dos anos, o Brasil galgou de importador para exportador. “Produzimos hoje quatro vezes mais grãos na mesma área”, afirmou a Diretora do Departamento de Produção Sustentável e Irrigação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Mariane Crespolini, durante o evento.

Segundo a diretora, das áreas convertidas para uso agropecuária, 60% são destinadas a pastagens, sendo possível aumentar ainda mais a produção agropecuária de alimentos, fibras e bioenergia nesses mesmos hectares. “Basta o produtor rural receber os incentivos corretos para adotar as tecnologias necessárias para fazer essa intensificação acontecer.”

Algumas tecnologias citadas por Crespolini foram: recuperação de pastagens degradas, plantio direto, sistemas de integração, florestas plantadas, sistemas irrigados, bioinsumos, manejo de resíduos da produção animal e terminação intensiva.

A palestrante salientou que os grandes desafios para a sustentabilidade, em um país tão extenso como o Brasil, devem ser superados com colaboração e com cooperação. “Produzir e conservar é possível, e a construção desse processo deve ser feita de maneira a trazer para o debate todos os setores: produtores rurais, pesquisadores, cientistas, terceiro setor, dentre outros, pois estamos falando de cerca de cinco milhões de famílias que estão envolvidas com a produção agropecuária”, concluiu.

Nova proposta da União Europeia

O integrante da Direção geral do Meio Ambiente da Comissão Europeia Javier Arribas Quintana apresentou a nova Proposta da União Europeia para minimizar a importação de produtos oriundos de desmatamento pela UE e de degradação florestal, assim reduzindo a emissão de gases do efeito estufa e perda de biodiversidade.

Caso a regulação sugerida seja aplicada como está, seis principais commodities serão impactados: óleo de palma, soja, madeira, carne bovina e café, assim como seus derivados. De acordo com Quintana,tratam-se de produtos identificados como agentes significativos de desmatamento e de degradação florestal.

Na ocasião, Quintana reforçou ainda que a proposta não deve ser vista de modo isolado, mas considerada ao lado das demais ferramentas existentes para combater desmatamento e degradação ambiental globais. “Criaremos condições para que os países possam cumprir as exigências, dialogando com parceiros e com provisões já existentes”.

Desdobramento do Green Deal – Pacto Ecológico Europeu, em português, que traça diretrizes básicas de desenvolvimento econômico e sustentabilidade para o bloco –, a Proposta foi anunciada em novembro deste ano pelo Parlamento e pelo Conselho europeus a fim de minimizar a compra e o consumo de mercadorias provenientes de cadeias que deixem pelo caminho rastros de desmatamento e de degradação florestal.

*Artigo publicado originalmente no portal IPAM.

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