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19.02.22

Grupo Morena: Diversificar para ter longevidade

Ela já foi capa de revista, apontada como “exemplo que vem do campo”. Na passarela da produção responsável, é modelo reconhecida. Mas não descuida, jamais, da ótima aparência. Com três décadas de história, a fazenda Morena, de Campo Novo dos Parecis (MT), pertencente à família Ciochetta, quer mostrar ao mundo que está cada vez mais em dia com os melhores padrões socioambientais exigidos pelo mercado.

Integrante, desde 2012, da Plataforma Produzindo Certo, o Grupo Morena não descansa. Enxergou na diversificação das atividades o caminho natural para alcançar longevidade e ampliar a lucratividade, além de intensificar os sistemas de produção e otimizar o solo, os processos, os maquinários e os recursos humanos.

É uma mentalidade que começou a ser implantada em 2009, quando a empresa passou a investir, nas terras mais arenosas e de baixa produtividade, no plantio de uma floresta de eucalipto, em uma área de 150 hectares. O objetivo era fornecer lenha para a armazenagem. Cinco anos depois, veio a construção da infraestrutura para trabalhar com pecuária de corte, no sistema de recria e engorda. No ano seguinte veio a integração com a com a floresta e, nos solos mais argilosos, com as lavouras de grãos.

“Hoje percebemos que atingimos nosso objetivo, pois além de diversificarmos nossa propriedade conseguimos fazer três atividades na mesma área: soja, milho com braquiária e pecuária”, comemora Dulce Ciochetta, que conduz a administração do grupo ao lado do marido Romeu. Já são 600 hectares com pasto fixo e 800 com integração.

A essência da sustentabilidade

Mas antes mesmo do primeiro passo, em 2007, os administradores viram em um problema uma baita oportunidade. Construíram o primeiro reservatório de captação de água da chuva para acabar com o acúmulo de água no pátio da propriedade. Foi aí que perceberam os vários usos sustentáveis desse recurso, como para os tratos culturais e para a lavagem de maquinários.

“Percebemos que poderíamos usar essa situação para contribuir ainda mais com o meio ambiente, pois deixaríamos de retirar do lençol freático uma quantidade significativa de água”, conta Dulce. Atualmente são seis reservatórios que captam cerca de 30 milhões de litros de água. Destes, um reservatório é destinado ao pesqueiro que embeleza ainda mais a sede da propriedade e serve como lazer para os colaboradores.

As boas práticas não pararam por aí. Hoje o grupo também tem 50% do consumo de energia abastecido com a geração solar fotovoltaica, reciclagem do lixo, compostagem, selos, certificações, e vários projetos em andamento, como o Pró-Carbono, da Bayer, e do Couro Sustentável, com a Produzindo Certo. “A adoção dessas práticas e ações conservacionistas proporcionam muito mais chances de perenidade no negócio, afinal a terra é o nosso principal insumo”, diz a empresária.

A relação do Grupo Morena com a Produzindo Certo é antiga, começou em 2012. Para Dulce Ciochetta, o maior ganho dessa parceria é a melhoria constante, já que a Plataforma traz o que os consumidores e mercados nacionais e internacionais exigem do setor produtivo. “A Produzindo Certo tem ajudado a melhorar essa imagem negativa que se tem do agricultor brasileiro, quando mostra para a sociedade de que forma estamos produzindo. Esse é um trabalho de todos, é uma ação coletiva dos agricultores, do governo, da imprensa e da sociedade”, explica.

Entre os novos projetos, a empresa está finalizando a construção de uma unidade de beneficiamento de sementes para ser prestadora de serviços. Na área da sustentabilidade, a busca é por novas certificações e selos, além de melhorar ainda mais a qualidade de vida dos colaboradores com diferentes formações e melhorias nos benefícios.

Créditos de Couro

Há também o interesse em investir na cria de gado para assim ter o ciclo completo da pecuária. A Fazenda Morena já é um exemplo em técnicas como a Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF) e no manejo baseado em conceitos de bem-estar animal. Por esse motivo, foi uma das propriedades indicadas pela Produzindo Certo para participar de um projeto piloto para a criação de um mercado internacional de créditos de couro sustentável. O projeto, liderado pelo programa Leather Impact Accelerator (LIA), da Textil Exchange, entidade que reúne as principais grifes globais de moda, pretende combater o desmatamento e incentivar a adoção de práticas de bem-estar animal gerando uma receita adicional para os produtores responsáveis.

No projeto, o pecuarista que demonstra compromisso e responsabilidade na produção a partir de um protocolo determinado faz jus a um crédito de couro, calculado a partir da quantidade de animais que estiveram na fazenda durante o ano. “Isso ajuda muito os pecuaristas a terem condutas sustentáveis nas suas atividades, com a preservação das matas, das áreas de preservação permanente, das reservas, e assim valoriza a cadeia como um todo”, afirma Douglas Chiamulera, gestor de suprimentos do grupo.

No mês de janeiro, Romeu Chiamulera e a equipe da Fazenda Morena receberam o especialista em sustentabilidade Willian Campos, da Produzindo Certo, para a primeira visita técnica relacionada ao projeto. Segundo Chiamulera, a propriedade está bem posicionada para atender ao protocolo exigido para a ter direito aos créditos de couro sustentável. “Existe muita coisa que a gente já faz na propriedade e também algumas novidades que talvez tenhamos que adaptar, mas isso não está tão distante do nosso cotidiano”, afirma. “É um desafio que se alinha com nosso propósito de estar em melhoria contínua”.

“É possível produzir e ser sustentável”

A produtora e empresária Dulce Ciochetta concorda que o caminho ainda é longo e exige trabalho contínuo. Faltam, segundo ela, apoio e investimentos aos agropecuaristas brasileiros. O Grupo Morena mesmo tem algumas certificações que já se revertem em ganhos financeiros na venda de sua produção, mas ainda existem várias ações nas propriedades que podem ser rentáveis e, no entanto, ainda não têm a devida atenção das instituições financeiras.

É preciso pensar no que se faz no presente para que o futuro seja ainda melhor. “As exigências dos mercados hoje são outras, e as necessidades do planeta também. A economia circular, a valorização das pessoas, da diversidade e o uso da tecnologia na otimização de processos serão fatores determinantes para as empresas de sucesso no mercado atual”, defende Dulce.

Ao ser questionada sobre qual conselho daria para produtores que ainda não adotaram sistemas mais sustentáveis de produção, ela não titubeia: “A sustentabilidade é a maior oportunidade das próximas décadas. Precisamos de um novo plano, temos que redesenhar a nossa relação com o consumo e com os recursos naturais. Não podemos mais usar a cultura do ou, e sim do e. Agricultura e preservação, ter lucro e ser sustentável”, finaliza.

*Artigo publicado originalmente no portal Produzindo Certo.

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