Notícias GTPS
24.11.2020

Conservação garantida por lei precisa virar vantagem competitiva, destaca Caio Penido

O mercado tem exigido cada vez mais produtos com origem sustentável e preservação ambiental. Diante desta afirmativa, o presidente do GTPS – Grupo de Trabalho da Pecuária Sustentável, Caio Penido, destacou que é preciso tornar os atributos da biodiversidade brasileira em uma vantagem competitiva, agregando valor aos produtos e valorizando a imagem do pecuarista e do Brasil.

“A demanda por sustentabilidade chegou para ficar e precisamos transformar isso em oportunidade”, aponta Caio. “São necessários mecanismos que viabilizem o PSA – Pagamento por Serviços Ambientais, por exemplo. O produtor que ainda puder suprimir vegetação nativa legalmente, poderá optar por receber recursos pelos serviços ambientais dessa área, mas isso precisa ser opcional, sem excluir do mercado quem segue o complexo Código Florestal”, destaca o presidente do GTPS.

“À medida que a regularização ambiental e a intensificação sustentável forem se concretizando, conservando as Reservas Legais e as APPs, garantindo a proteção dos recursos hídricos e a boa utilização do solo, teremos o que poucos países podem oferecer: biodiversidade garantida por lei e uma produção de baixas emissões gases do efeito estufa, essa é nossa vantagem competitiva, esse é nosso diferencial comercial”, defende Caio. “Nosso país passa pelo complexo de inferioridade que chamo de ‘Síndrome de Lois Lane’, que namora o Klark Kent, sem perceber e reconhecer que se trata do Superman. Somos uma potência agroambiental e é preciso incorporar isso no DNA da nação, reconhecendo nossa biodiversidade e o papel do produtor rural na conservação”, completa o presidente.

Segundo ele o próprio brasileiro não entende que a biodiversidade brasileira está prestando serviços ambientais gratuitamente para o resto do mundo. “O bônus é para toda sociedade, que não reconhece o produtor rural como o conservador de mais de 20% do território do país. O mundo se sente ameaçado pelo aumento da nossa produção de alimentos, com competitividade, qualidade e adequada à legislação ambiental brasileira, mas ainda não conseguimos associar essa biodiversidade à imagem do setor”, enfatiza Caio Penido.

Durante a live “Pecuária Sustentável do Pantanal“, promovida pela Agência Movimenta Pantanal, o superintendente da Semagro – Secretaria de Estado e Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar, Rogério Beretta, apresentou o programa que beneficia o pecuarista sul-mato-grossense, pela produção de proteína de forma sustentável e orgânica, com práticas de preservação da biodiversidade pantaneira. Em média, os pecuaristas inscritos no programa recebem R$ 131,50 por animal enviado à indústria frigorífica.

O programa em Mato Grosso do Sul até o momento possui 11 propriedades rurais inscritas, na região de Corumbá, Porto Murtinho, Miranda e Rio Verde de MT e, outras oito propriedades, estão em processo de cadastramento. Entre março de 2019 a novembro de 2020, cerca de 12.928 cabeças foram abatidas pelo programa, totalizando R$ 781.464,80 repassados aos produtores rurais. O Governo do Estado de MS anunciou que também pagará por serviços ambientais, começando com produtores da região de Bonito.

A live também contou com a participação do pecuarista Eduardo Cruzetta, presidente da União do Pantaneiros da Nhecolândia (Unipan), que mostrou as boas práticas sustentáveis desenvolvidas no Pantanal, com moderação da Márcia Rocha.

Comunicação GTPS

Paulo Zappa

comunicacao@gtps.org.br

+55 (11) 98945-5217