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11.02.22

Bovinos abatidos em Mato Grosso estão emitindo menos gás metano

O volume de gás metano (CH4) emitido por bovino abatido em 2021 em Mato Grosso foi, em média, 10,4% menor do que o volume emitido por animal abatido em 2011. Levantamento do Instituto Mato-Grossense da Carne (Imac), com base nos dados sobre a idade média de abate de bovinos do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), aponta que, em 2021, o volume de gás metano emitido foi de 121 kg por animal abatido. Em 2011, esse número era 135 kg.

O cálculo de emissão de gás metano considerou apenas os animais abatidos nos dois anos, 2011 e 2021, e a emissão por animal/mês de 4,16 kg de CH4, conforme o estudo Recuperação de Pastagens: Anais do 2º Simpósio de Pecuária Integrada da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Em 2011, 5% dos animais abatidos em Mato Grosso tinham até 24 meses, 49% tinham de 24 a 36 meses e 46% tinham mais de 36 meses. Em 2021, de acordo com o Imea, 37% dos abates foram de animais com menos de 24 meses, 42% eram animais com idade entre 24 e 36 meses e somente 22% do total abatido tinham mais do que 36 meses. Com a redução do tempo de produção, o volume de gás metano por unidade animal abatido também diminui.

De acordo com o presidente do Imac, Caio Penido, a cadeia produtiva da carne passa, ao longo dos últimos anos, por um processo de melhorias contínuas, realizado por iniciativas dos produtores e das indústrias com o apoio de políticas públicas. “Um exemplo de ações do mercado que estimularam a redução de idade de abate foi o ‘boi china 30 meses. Ao impor uma condição de compra, a China estimulou indústrias e produtores a diminuírem o tempo de produção para atender a demanda”.

Caio Penido destaca que neste levantamento foi considerada apenas a redução de emissão de metano a partir da diminuição da idade média de abate dos animais, sem levar em conta o uso de produtos que auxiliam na redução da emissão de metano entérico pelo gado, como suplementos e aditivos.

“Hoje sabemos que existe uma quantidade grande de produtos (aditivos) que podem auxiliar na redução de metano por fermentação entérica no animal. Assim como também há outros fatores que podem influenciar nessa conta, como sistemas produtivos e condições da pastagem. Fato é, estamos produzindo mais carne, em menos tempo, emitindo menos gases de efeito estufa e ainda sequestrando carbono em nossos pastos”, afirma o presidente do Imac, Caio Penido.

A afirmação do presidente do Imac faz referência às inúmeras tecnologias implantadas ao longo dos últimos anos pelo setor produtivo da carne, como a recuperação de pastagens, os sistemas integrados, a intensificação da produção com confinamento e semi-confinamento, entre outras estratégias.

O resultado disso é o ganho produtivo nas pastagens mato-grossenses. A partir do cruzamento de dados sobre pastagem do Mapbiomas com os dados de produção e rebanho do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea), o Imac identificou aumento de 28% no volume (kg) de carcaça produzido por hectare de pastagem. Em 2011, Mato Grosso produziu 49 kg de carcaça / hectare de pastagem e no ano passado este volume passou para 62,7. Vale destacar que os números consideram o total de quilos de carcaças produzidas, e não do rebanho vivo.

“Atendemos duas demandas mundiais, de segurança alimentar e climática. Ao intensificar nossa produção, estamos disponibilizando mais alimento e melhorando o balanço de emissões de gases de efeito estufa por arroba produzida”, afirma Penido.

Outro dado apresentado recentemente é com relação à integração lavoura-pecuária (ILP). De acordo com a Embrapa Sistemas Integrados de Lavoura-Pecuária-Silvicultura, o sistema de ILP em Mato Grosso passou de 1,1 milhão para 2,6 milhões de hectares entre os anos de 2013 e 2019.

Investimentos Contínuos – Os dados da cadeia produtiva da carne apresentados resultam do trabalho de inúmeros agentes, públicos e privados, que investem em pesquisas, tecnologias e monitoramento da produção de carne em Mato Grosso.

O presidente do Imac, Caio Penido, destaca que ao longo dos últimos anos, o setor tem sido alvo constante de acusações para que assuma sozinho os custos dos novos modelos produtivos. “É preciso reconhecer os avanços já alcançados a partir dos esforços e investimentos de produtores, da indústria da carne e de agentes públicos em busca de viabilizar a produção de alimentos com a conservação da biodiversidade e a melhora no balanço da emissão dos gases de efeito estufa por arrobas por produzida. Ainda temos como melhorar os índices produtivos, sim, mas é preciso mais investimentos e esta conta é de todos, inclusive dos consumidores”, defende Caio Penido.

Imac – Criado em 2016, o Instituto Mato-Grossense da Carne (Imac) promove a valorização da carne a partir de ações de pesquisa e desenvolvimento, informação e marketing. A meta é auxiliar na celeridade da regularização ambiental e melhorar o balanço de carbono por arroba produzida, disseminando o uso de tecnologias voltadas à intensificação das pastagens degradadas, redução da idade de abate, aumento do número de animais por hectare e ainda a captura de parte das emissões por meio dos sistemas intensivos.

Atualmente, o Instituto possui três programas em andamento. O Sistema Eletrônico de Informação das Indústrias da Carne (SEIIC) é uma plataforma da cadeia produtiva que informa a origem dos bovinos para abate. Há também o Programa de Reinserção e Monitoramento de Fornecedores da Indústria Frigorífica (PREM), que permite ao produtor, que comprovar a recuperação de áreas degradadas aferido pelo PREM, retornar ao mercado formal pecuário.

O Observatório da Carne de Mato Grosso (OCMT) é a ferramenta que vai monitorar, integrar, compilar e produzir informações estratégicas que irão subsidiar decisões e contribuir para o desenvolvimento da cadeia da pecuária de corte no estado.

Todos os projetos estão em fase de implantação ou de testes.

*Artigo publicado originalmente no portal Cenário MT

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