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16.04.2021

A Produção Agropecuária com foco nas Práticas de Conservação de Recursos Naturais

Por Daniele Coelho Marques

A produção agropecuária deverá atender à crescente demanda de alimentos que, cada dia mais, é impulsionada pelo aumento populacional do planeta. Nesse sentido, as exigências de conservação dos recursos naturais, buscando uma produção em escala sem comprometê-los, trouxeram avanços e métodos modernos para harmonizar os incrementos sociais, econômicos e ambientais, alcançando o desenvolvimento agropecuário sustentável. Neste artigo iremos contextualizar e demonstrar como tem funcionado tais métodos e práticas, dando um destaque à produção irrigada e seus benefícios.

Como produzir mais e melhor sem exaurir os recursos naturais? Se por um lado é necessário produzir mais alimentos para atender o crescimento populacional, por outro é preciso levar em consideração a proteção e/ou conservação do meio ambiente, praticando uma agricultura e pecuária que sejam capazes de usar e conservar a biodiversidade, sem esgotamento da capacidade dos solos, rios e mares. Uma série de métodos e práticas compõe o que se denomina “boas práticas agropecuárias”. Essencialmente, o propósito é evitar se produzir em más condições de conservação do solo e água, impedindo consequências como a erosão, lixiviação, compactação do solo, perda de biodiversidade, assoreamento de cursos d’água, entre outros.

Portanto, a adoção de boas práticas agrícolas terá como resultado o aproveitamento ao máximo da terra por unidade de área plantada. Assim, evita-se a degradação física, química e biológica do solo. Nesse sentido, dentre as principais práticas podemos destacar as de cunho conservacionista e vegetativa, as quais estão descritas abaixo:

  • Plantio Direto: modo de cultivo onde ocorre o mínimo revolvimento do solo, mantendo a cobertura de palhada no solo, que ajuda a reduzir impactos das gotas de chuva.
  • Sistema de Integração Lavoura Pecuária e Floresta (ILPF): sistemas de cultivos que integram a produção de grãos, fibras, madeiras, carnes, leite ou agroenergia em uma mesma área. Além de conservar o solo, esse sistema promove a diversificação de atividades e o bem-estar animal.
  • Adubação química e orgânica: o uso de adubos, químicos e orgânicos aumenta a fertilidade do solo, proporcionando melhorias nas suas propriedades químicas, físicas e biológicas.
  • Rotação de culturas: alternar o cultivo em um mesmo terreno, com diferentes culturas numa sequência, de acordo com um plano técnico definido, minimizando inclusive a incidência de pragas.
  • Adubação verde: essa prática é entendida como incorporação ao solo de plantas especificamente cultivadas para esse fim ou outras cortadas ainda verdes para serem enterradas.
  • Culturas em faixas: é dispor as culturas em faixas de largura variável, para que se alterne, a cada ano, as plantas que oferecem pouca proteção ao solo com outras de crescimento denso.

Existe uma gama de outras ações que fazem parte da rotina de muitas propriedades no Brasil, como a recomposição de mata ciliar, o manejo e reforma de pastagens, o manejo integrado de pragas, o controle biológico e a construção e manutenção de terraços.

Seguindo essa tendência global de sustentabilidade, a irrigação está ganhando cada vez mais espaço dentre essas técnicas, podendo ser considerada um dos mais importantes meios de manutenção sustentável do solo. Esta é uma prática utilizada para complementar à disponibilidade da água fornecida pela chuva, proporcionando ao solo a umidade suficiente para suprir as necessidades hídricas das culturas. Em regiões onde há água insuficiente para suprir as necessidades das culturas durante todo seu ciclo vegetativo, a irrigação assume um papel crucial para garantia de uma boa safra.

O manejo da irrigação e do solo possibilita a otimização das áreas cultivadas, aumentando o tempo de uso e diminuindo os investimentos na recuperação do solo e na conservação da água ao longo dos anos. A irrigação, quando bem planejada e executada conforme as regras e técnicas adequadas, possibilita o aumento da produção, da eficiência no uso da água em quantidade e qualidade, regularidade e constância na produção, e aumenta a diversificação de culturas, ponto este crucial para o crescimento da renda e redução de riscos ao pequeno e médio produtor rural.

Além disso, ainda é possível destacar que a irrigação diminui o risco de perda de produção por falta de chuva, e aumenta a produção e a produtividade por ter disponibilidade de quantidade adequada de água no solo, no momento exato que a planta precisa para se desenvolver e gerar frutos. Assim, como forma de exemplificar na prática os benefícios da irrigação, em casos de cultivos como soja e milho, com a adoção dos sistemas de irrigação por aspersão (pivô), é possível ter praticamente uma safra a mais por ano, pois a produtividade média obtida em áreas irrigadas no país é pelo menos 2,7 vezes maior que a obtida através da agricultura tradicional de sequeiro, que é dependente do regime (irregular e inconstante) de chuvas. Além de ser possível cultivar outras culturas como feijão, amendoim, pastagem, trazendo a diversificação e renda.

É admirável a busca incessante por novas formas de produzir alimentos e conservar o meio ambiente por parte dos produtores, instituições de pesquisas e indústria, pois é nesse caminho que o futuro das atuais e novas gerações estará assegurado em relação à segurança alimentar. Ao mesmo tempo, o setor agropecuário e o Brasil trilham seus caminhos, visando atender a previsão da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), cuja demanda de alimentos vai aumentar em 60% até 2050.

Enquanto a disponibilidade de água para a agricultura é incerta em muitas regiões do mundo, como África, Índia e China, o nosso Mato Grosso do Sul, junto ao Brasil, detém grande potencial produtivo, aliando conhecimento e uso racional dos recursos naturais. Práticas conservacionistas de uso do solo e água já fazem parte da rotina da produção sul-mato-grossense e, sem dúvida nenhuma, será o nosso grande alicerce para as próximas décadas. O uso adequado da irrigação é e poderá ser um grande impulsionador das já reconhecidas qualidades do estado, como a localização estratégica, solos de boa aptidão agrícola, pioneirismo em práticas conservacionistas e elevado índice de regularidade ambiental. É nessa agenda que estamos e devemos seguir.

*Produtora Rural, Engenheira Agrônoma, mestre e doutoranda em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional e Consultora Técnica do Sistema Famasul.

Artigo publicado originalmente no portal da Famasul.

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