Notícias GTPS
23.10.2020

Mensagem do presidente – GTPS

O GTPS foi criado em 2007 pela articulação de diferentes líderes do setor agropecuário, representantes da indústria, produtores e organizações civis, que decidiram se reunir para estabelecer uma forma única, coletiva e transparente de buscar padrões e práticas a serem adotadas pela cadeia produtiva pecuária brasileira. A missão do GTPS é promover o desenvolvimento da pecuária sustentável por meio da articulação da cadeia, melhoria contínua e disseminação da informação.

A marca forte do Grupo é o respeito à democracia, incluindo todas as categorias envolvidas na cadeia da pecuária de forma equânime. Desde sua criação, ambientalistas e produtores têm o mesmo peso e a mesma importância no GTPS. É com essa legitimidade que o GTPS têm sido o principal fórum sobre o tema, sendo a voz da pecuária sustentável nas Conferências sobre Clima e referência em articulação mundo afora.

Em um momento polarizado, onde as associações de produtores rurais questionam sua permanência em fóruns multi stakeholder por não concordarem com o direcionamento predominante do debate para o “desmatamento zero”, no GTPS está acontecendo o contrário. O número de associados está aumentando e os pecuaristas, vêm assumindo seu protagonismo dentro do grupo e em toda a cadeia da carne, elegendo a implementação do Código Florestal como a maior prioridade do país e promovendo uma verdadeira revolução ao protegerem suas florestas, aumentando a produtividade de suas fazendas e melhorando o balanço de carbono em seus sistemas produtivos.

Assim, não há motivos ou ganhos para que nossos associados esvaziem nossos fóruns dentro do GTPS e levem discussões tão sensíveis e importantes à pecuária brasileira, como, por exemplo, Desmatamento, Rastreabilidade e Fornecedores Indiretos, para fóruns que não têm a mesma representatividade das categorias “pecuaristas” e “insumos e serviços”, desviando dos compromissos e direção estabelecidos no Código de Conduta do GTPS.

Destacamos ainda que essas duas categorias muitas vezes são representadas por seus proprietários, que precisam trabalhar por seus negócios e não possuem a mesma disponibilidade de tempo e recursos para participarem de tantos grupos e debates, muitos deles repetitivos, e, por essa razão, não faz sentido participarem destes fóruns paralelos. Além disso, essa difusão dos grupos enfraquece a discussão e seu conteúdo, e até o próprio GTPS, como instituição. 

A estratégia exclusivista do “Desmatamento zero”, o desvio do debate democrático em campo neutro e a defesa de interesses que as vezes parecem não estarem alinhados com os interesses nacionais, está atrapalhando as discussões positivas, enfraquecendo nossa missão de implementar o Código Florestal e impedindo o reconhecimento e valorização da biodiversidade brasileira.

Como alternativa ao exclusivismo do “desmatamento zero” gostaria de engajar os associados em uma nova estratégia: “desmatamento ilegal zero e implementação do código florestal já”, e foco em uma campanha inteligente e eficaz para que países emissores paguem pelos serviços ambientais prestados pela biodiversidade dos nossos biomas.

A sociedade civil teve e tem um papel relevante no apontamento dos problemas, mas a solução e implementação da rastreabilidade precisa ser feita em aliança com os pecuaristas (maiores impactados) e pelas empresas especialistas no assunto.

Contamos com a união e dedicação de todos na busca de mais equilíbrio e soluções democráticas que valorizem as características únicas da produção pecuária tropical brasileira, com conservação de biodiversidade garantida por lei (hoje mais de 60% do território destinado a conservação) e com mais de 80% de seu rebanho terminado a pasto, o que garante baixas emissões de gases do efeito estufa em relação ao tipo de produção dos países desenvolvidos.

Por tudo isso, convidamos todos os membros do GTPS que estão dissipando força e foco nos fóruns paralelos (GTFI e Coalizão Brasil/Força Tarefa de Rastreabilidade) que venham participar da discussão e da solução da “rastreabilidade” e do “indireto” dentro do próprio GTPS, fortalecendo o debate e a participação de todos os elos, como sempre e como era desde nossa fundação. Na próxima reunião do Conselho Diretor, vamos debater essa ação para que seja feita de forma alinhada e respeitosa com os outros fóruns.

A ideia é construirmos um modelo de rastreabilidade e monitoramento do indireto baseado em 4 requisitos:

  • respeito ao Código Florestal, marco regulatório para a conservação e o uso do solo amplamente debatido pelos brasileiros e aprovado no Congresso Nacional;
  • respeito aos mecanismos desenvolvidos para garantir a sanidade do rebanho brasileiro;
  • não apoio à estratégias de fragilização e ou criminalização da imagem de empresas ligadas ao agro, que alimentam a polarização e a associação da imagem do Brasil com a destruição da Amazônia;
  • respeito à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Contamos com todos na defesa de uma agenda positiva e brasileira, que defenda os interesses e as características únicas do nosso país.

Agradecemos a compreensão,